Centenas de pessoas participaram
na tarde desta quarta-feira (01/02) do segundo grande protesto do Movimento
Desocupa, que pede a saída do prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro
(PP), que faz uma das piores administrações que a cidade já teve. A
manifestação começou no Campo Grande e tomou corpo durante todo o percurso até
a sede da Prefeitura, na Praça Municipal.
Estudantes, artistas,
trabalhadores, donas de casa, sindicalistas, políticos e ativistas de diversos
movimentos sociais participaram da caminhada. Muitos utilizaram os microfones
dos muitos carros de som, que acompanharam a caminhada até a Praça Castro
Alves, quando foram impedidos de seguir pela Polícia Militar. Outros fizeram
performances artísticas, levantaram cartazes e mostraram da mesma forma a
indignação com a situação de abandono em que se encontra a cidade.
A Federação das Associações de
Bairros de Salvador (FABS) é uma das entidades que participam desde o início do
movimento, que não tem uma organização centralizada. “O movimento é formado por um
conjunto de entidades e pessoas de diversos segmentos da sociedade. Começamos
com a luta contra a privatização do espaço público e ampliamos a luta contra o
PDDU e a LOUS. Hoje o movimento está crescendo a cada nova manifestação, o que
mostra que a insatisfação com o governo João Henrique é um sentimento de toda a
sociedade”, disse o presidente da FABS, João Pereira.
Os protestos contra a aprovação
do PDDU e da LOUS sem discussão com a sociedade permearam todos os discursos
dos manifestantes. Muitos criticaram também a Câmara de Vereadores, que aprovou
a retirada do poder deliberativo do Conselho da Cidade e as mudanças do PDDU
que foram incluídas na LOUS. Os nomes dos 31vereadores que votaram pela
aprovação do projeto foram lidos durante a caminhada, para que a população
soubesse quem eram eles.
Outros vereadores, como as
comunistas Aladilce Souza e Olívia Santana, além da petista Marta Rodrigues, se
integraram ao movimento sem constrangimento, já que votaram contra o PDDU, a
LOUS e tantos outros projetos que prejudicam Salvador. Entidades como a Central
dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, Unegro, UNE, ABES, MSTS e muitos
sindicatos também compareceram à caminhada.
“A manifestação foi uma
demonstração de força, com uma quantidade grande de gente vindo para as ruas,
mostrando sua indignação, dizendo que a gente quer ser ouvido. Pedindo a
revogação desta LOUS, dizendo que a gente não aguenta mais a cidade ser
dirigida a partir de uma gestão catastrófica, um desvario completo. A
fragilidade política, moral e institucional desta gestão, configura um ambiente
perfeito para a atuação predatória dos interesses privados em Salvador, da
especulação imobiliária, da indústria da limpeza, máfia do transporte. Ou seja,
são várias máfias que atuam na cidade hoje e a gente quer dá um basta nisto”,
ressaltou Ícaro Vilaça, um dos articuladores do Movimento.
O grupo já começou a mobilizar
uma grande manifestação para a segunda-feira de Carnaval, quando desfila a
Mudança do Garcia.
Fonte: De Salvador,Eliane Costa.
Foto: Vermelho

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