O ministro do Esporte Orlando
Silva Jr. rebateu as acusações de que teria recebido propina, publicadas em
matéria da revista Veja neste sábado. Ele atribui as informações da matéria a
uma reação do acusador contra as ações de sua pasta, enxerga um fundo político
nas declarações e acionou a Polícia Federal para investigar denúncias.
Orlando conversou com a
presidente Dilma Rousseff, durante a manhã, e adiantou que gostou do que ouviu
da presidente.
“Procurei a presidente quando
tive a notícia de que a reportagem estava sendo feita. Mostrei os números e
nossas ações para transmitir a confiança de que a nossa conduta foi correta. As
impressões que ela teve é melhor vocês [jornalistas] perguntarem a ela. Mas eu
fiquei muito feliz depois de ter conversado com a presidente Dilma”, disse
Orlando Silva, que está em Guadalajara, no México, acompanhando a abertura dos
Jogos Pan-Americanos, que aconteceu ontem (14).
O ministro também falou sobre o
que está por trás das denúncias. “Talvez a melhor resposta seja dos analistas
de política. São feitas especulações sobre mudanças [na pasta] por conta do
crescimento do esporte. Mas a presidente Dilma tem sido apoiadora fundamental
do ministério”, disse o político.
Em nota, o ministro do Esporte
afirmou que já pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, que coloque
a Polícia Federal para investigar as denúncias feitas por João Dias. "Tenho
a certeza de que ficará claro de que tudo o que ele diz são calúnias",
disse o ministro na nota.
Ainda segundo a nota, João Dias, por
meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu,
firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte, para
atendimento a crianças e jovens, dentro do Programa Segundo Tempo. Como não
houve cumprimento do objeto, não só o Ministério determinou a suspensão dos
repasses, como o ministro Orlando Silva determinou, em junho de 2010, a
instauração de Tomada de Contas Especial, enviando todo o processo ao TCU. O
ministério exige a devolução de R$ 3,16 milhões, atualizados para os valores de
hoje.
A avaliação do ministro do
Esporte é de que foi esse o motivo para João Dias fazer agora acusações de
desvios de verbas do programa. Orlando Silva afirma com veemência ser caluniosa
a afirmação de João Dias de que houve entrega de dinheiro nas dependências do
Ministério e pretende tomar medidas legais. João Dias já é réu em ação civil
pública proposta pelo Ministério Público Federal, em decorrência das
irregularidades na execução dos convênios denunciadas pelo Ministério do Esporte.
A matéria se baseia inteiramente
numa entrevista do policial militar João Dias Ferreira, à revista. Ferreira foi
preso em 2010 acusado de fazer parte de um suposto esquema de desvio de
recursos do programa Segundo Tempo, do ministério. Ferreira disse que Orlando
Silva teria comandado um esquema ilegal quando era secretário-executivo de
Agnelo Queiroz, responsável pela pasta no primeiro mandato de Lula e hoje
governador do Distrito Federal.
O ministro explicou que recebeu
João Dias Ferreira em uma audiência a pedido do então ministro Agnelo Queiroz,
sem nenhum contato depois. Orlando também ressaltou que nunca conheceu Célio
Soares Pereira.
“Essa pessoa [João Dias Ferreira]
tem um inquérito policial em Brasília. Dois convênios foram firmados por ele [com
o Segundo Tempo]. A prestação de contas revelou que o objeto não foi cumprido.
Nós fizemos diligências para ela prestar contas. Na medida em que não foram
apresentadas, fizemos a tomada de contas especial, que leva o caso para o TCU”,
afirmou Orlando Silva, que disse que sua equipe recebeu ameaças dos acusadores
antes da publicação da reportagem.
Fonte: O Vermelho
Foto: PCdoB

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